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Lá como aqui...
Caro Internauta, eis uma pedacinho da matéria da Veja desta semana. Trata da formação do novo Governo dos Estados Unidos. É interessante como na oposição se dizem coisas e se fazem críticas que depois são totalmente esquecidas e contraditas quando se chega ao governo. Aquilo que já se dizia no Brasil Império, com realismo cínico: "Nada mais conservador que um liberal no poder e nada mais liberal que um conservador na oposição"... Ah, nada como um dia atrás do outro - com uma noitezinha no meio... Leia e pense:
À primeira vista, a nomeação mais perturbadora para os eleitores de Obama que apostaram na mudança é a de Robert Gates. Com uma carreira construída entre a CIA e o Conselho de Segurança, Gates é um veterano do poder e, em dezembro de 2006, assumiu como secretário de Defesa de Bush.
Desde que o cargo foi criado, há mais de sessenta anos, será a primeira vez que seu titular passará de um presidente ao outro, num extraordinário espetáculo de continuísmo. E será logo na passagem de Bush para Obama. E logo durante a Guerra do Iraque, conflito que Bush deflagrou e defende com tanto entusiasmo e que Obama transformou em seu saco de pancadas predileto.
O contraste entre o que Obama disse em campanha e o que está fazendo depois de eleito remete às críticas do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à política econômica de Fernando Henrique na campanha de 2002. Pedro Malan, o ministro da Fazenda, foi demonizado como símbolo de uma política então denunciada como hostil com o povo e afável com os banqueiros. Depois que assumiu, Lula limpou a área dos petistas que palpitavam e entregou tudo na mão de quem entendia do assunto - e, como se sabe, manteve a política econômica tal e qual.
Visto de longe, Obama parece inclinado a fazer o mesmo. Em vez de recorrer a um democrata com retórica incandescente contra a guerra no Iraque mas sem experiência, preferiu a garantia e a estabilidade de manter Robert Gates.
Categoria: Análises
Escrito por Pe. Henrique às 23h04
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O negativo nas religiões não-cristãs
Caro Leitor, eis mais um trecho do Cardeal Daniélou...
Esse otimismo com que os Padres da Igreja mostraram a continuidade existente entre o cristianismo e as outras religiões é, pois, um primeiro aspecto do seu pensamento. Ao lado disso encontramos neles uma visão aparentemente contraditória e que acentua na questão o seu aspecto dramático.
O cristianismo não é mais considerado como o desenvolvimento de um plano que se prossegue com uma espécie de certeza infalível e pelo qual Deus realiza progressivamente a obra de unificação de todas as coisas no Cristo, mas como um conflito entre o Cristo e as forças do mal, conflito em que a humanidade é ao mesmo tempo ator e protagonista.
Encontramos primeiramente no Evangelho e depois no pensamento dos Padres da Igreja a visão do conflito do Cristo com essas potências misteriosas que representam, no pano de fundo da humanidade, todo um mundo infiel a Deus e hostil ao homem. O homem é presa e vítima desse mundo infiel de tal sorte que - para os Santos Padres isso é importante - ele parece mais vítima do que culpado; é antes uma presa das forças más de que o Cristo vem libertá-lo do que réu necessitado de expiação. Essa idéia de expiação aparece também, mas é secundária. Eles têm, sobretudo, em alto grau, o sentimento de tudo o que há de mal em nossa condição humana atual e a tarefa do Cristo é a de nos libertar (Observação minha: Note o caro Leitor que vem acompanhando estes pensamentos belíssimos de Jean Daniélou que, pouco a pouco, vai se desenhando uma leitura bem ampla e multicolorida dos Santos Padres. Somente no final desta série de textos é que teremos uma visão do todo. Duas coisas, no entanto, devemos levar em conta sempre: (1) O pensamento dos Padres, em geral, não é uniforme, sistematizado nem monolítico. Trata-se, antes de idéias motrizes, muitas vezes aparentemente contraditórias, quando na verdade são é muito ricas, exprimindo a complexidade da realidade humana, do mistério da economia divina e da própria multifacetada riqueza da fé cristã; (2) A teologia católica geralmente não se pauta pela alternativa ou-ou, mas pelo e-e: liberdade e graça, criação e salvação, criação boa e criação ferida pelo pecado, homem que traz em si o bem e homem ferido pelo mal. É necessário sempre manter juntos os pólos que aparentemente são inconciliáveis. É assim que se faz boa teologia católica).
Desse ponto de vista as religiões não-cristãs vão aparecer-nos imediatamente em outra perspectiva, não mais como preparações e etapas para o cristianismo, mas como forças hostis que se chocam com ele; a relação do cristianismo com elas vai aparecer-nos não mais como uma continuidade mas como um conflito. A esse respeito lembremo-nos dos textos em que os Padres da Igreja nos mostram o Batismo como sendo essencialmente, para o pagão, a renúncia às pompas, às obras de Satã, que designam propriamente a idolatria, isto é, a religião pagã. Esta é considerada como um culto à Satã a que o novo cristão deve renunciar para entrar no cristianismo (Observação minha: As duas perspectivas estão presentes nos Padres da Igreja e as duas são verdadeiras. O desenvolvimento teológico posterior, sobretudo no século XX, consegue de modo sadio unir as duas perspectivas: as religiões pagãs, em si, são errôneas e, em alguns casos, são más - não sempre, não totalmente, não todas de modo global. No entanto, elas contêm elementos de verdade e tais elementos levam a Cristo e lhe servem de preparação. Que fique claro: a única "religio vera" é o Cristianismo. As religiões não-cristãs, errôneas em si mesmas, contêm elementos de bondade na medida em que concordam com o cristianismo e para ele apontam. Isto vale para todas, sem exceção. Apenas o judaísmo tem um estatuto diverso: não é tanto uma religião não verdadeira, quanto uma religião incompleta, imatura, pois não deu o passo que lhe dá sentido e razão de ser: o acolhimento de Jesus como o Messias de Deus).

Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 22h31
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Levanta-te! Vê!
"Levanta-se, Jerusalém, põe-te no alto e vê: vem a ti a alegria do teu Deus" (Br 5,5; 4,36).
No Domingo passado chamei a atenção para a beleza da antífona de entrada da Missa que abria o sagrado Tempo do Advento. Gostaria, agora, de fazer algumas ponderações a partir da antífona de comunhão deste II Domingo.
A palavra tirada da Escritura convida a Igreja - Jerusalém - a levantar-se, a pôr-se no alto. Levantar-se do desânimo, levantar-se do medo, levantar-se do cansaço. No Evangelho, Jesus disse: "Levantai a cabeça: é a vossa libertação que se aproxima".
Quando olhamos para nós mesmos, para nossas possibilidades somente, a tentação é o desânimo; quando contemplamos este mundo ferido e cansado, com tantas contradições, a tentação é já não vermos o sentido, é perdermos o rumo do caminho.
Pois bem: a Palavra acima convida a Igreja, convida a cada um de nós: Levanta-te! Mas, o convite é não somente a que nos levantemos, mas também a que nos ponhamos no alto; pondo-nos aí poderemos ver. Que alto é esse? Pôr-se no alto é colocar-se na perspectiva de Deus, é olhar com os olhos de Deus, é sair de si, como no Salmo 120: "Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde virá o meu socorro?" Pôr-se no alto é, portanto, ter a capacidade de ver com o olhar do Senhor. "Põe-te no alto e vê!" Vê o quê? "Vem a ti a alegria do teu Deus!" Quando contemplamos a vida do alto da perspectiva do Senhor, então tudo cobra sentido, tudo se enche de razão de ser, ainda quando não compreendamos direito os motivos e finalidades...
Levanta-se, irmão! Levanta-te, Igreja! Levanta-te de tua visão mesquinha, curta, de moda, de politicamente correto! Levanta-te de tuas meras preocupações imediatas! Põe-te na perspectiva de Deus, olha com o olhar de Deus e verás a alegria que o Senhor te concede. Essa alegria tem rosto, tem nome, tem cheiro e abraço; essa alegria sorri e chora, essa alegria tem a tua cara: seu nome é Jesus! Feliz todo aquele que sabe esperá-lo e reconhecer a sua vinda!

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 19h54
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A Rússia sem pastor
Morreu o Patriarca Ortodoxo de Moscou "e de Todas as Rússias", Aleixo II.
Que Deus lhe conceda perdão dos pecados, paz e salvação eterna.

Categoria: Fatos
Escrito por Pe. Henrique às 15h27
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O trabalho de semear
Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona e doutor da Igreja:
Cristo estava cheio de ardor no que respeita à sua obra e dispunha-se a enviar trabalhadores... Vai então enviar ceifeiros. "É verdadeiro o provérbio: Um é o que semeia, outro o que ceifa. Envio-vos a ceifar um campo em que não trabalhastes; outros cansaram-se a trabalhar e vós colheis o fruto do seu trabalho" (Jo 4,37-38). Como? Enviou ceifeiros sem antes enviar semeadores? Onde é que enviou os ceifeiros? Onde outros já tinham trabalhado... Onde os profetas já tinham pregado, porque eles mesmos eram os semeadores...
Quem são esses que assim trabalharam? Abraão, Isaac, Jacó. Lede a narrativa dos seus trabalhos: em todos eles se encontra uma profecia de Cristo; foram, portanto, semeadores. Quanto a Moisés, aos outros patriarcas, a todos os profetas, o que não suportaram eles ao frio, enquanto semeavam? Por conseguinte, na Judéia a messe estava já pronta. E compreende-se que a messe estivesse madura no momento em que tantos milhares de homens traziam o valor dos seus bens, o depositavam aos pés dos apóstolos e, aliviando os seus ombros dos fardos deste mundo, começavam a seguir Cristo Senhor (At 4,35; Sl 81,7). Verdadeiramente a messe tinha atingido a maturidade.
Que resultou disso? Desta messe foram retirados alguns grãos que foram semeados em todo o universo e eis que se ergue uma outra messe destinada a ser colhida no fim dos séculos... Para recolher essa messe já não serão os apóstolos a ser enviados mas sim os anjos.
Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h58
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Estar preparados...
Caro Leitor, aqui vai outra meditação do Cardeal Ratzinger sobre o Advento:
«No capítulo 13 que Paulo escreveu aos cristãos em Roma, diz o Apóstolo o seguinte: "A noite vai muito avançada e já se aproxima o dia. Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e vistamos as armas da luz. Andemos decentemente e como de dia, não vivendo em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes, antes vesti-vos do Senhor Jesus Cristo..."
Segundo isso, Advento significa colocar-se de pé, despertar, sacudir-se do sono. Que quer dizer Paulo? Com termos como "orgias, bebedeiras, devassidão e libertinagem" expressou claramente o que entende por «noite». As orgias noturnas, com todos seus acompanhamentos, são para ele a expressão do que significa a noite e o sono do homem. Esses banquetes se convertem para São Paulo em imagem do mundo pagão em geral que, vivendo de costas para a verdadeira vocação humana, se afunda no material, permanece na escuridão sem verdade, dorme apesar do ruído e da agitação. A orgia noturna aparece como imagem de um mundo estragado. Não devemos reconhecer com espanto quão freqüentemente descreve Paulo desse modo nosso paganizado presente? Despertar-se do sono significa sublevar-se contra o conformismo do mundo e de nossa época, sacudir-nos, com valor, para a virtude e a fé, sono que nos convida a nos desentendermos de nossa vocação e nossas melhores possibilidades.
Talvez as canções do Advento, que escutamos de novo esta semana, tornem-se sinais luminosos para nós, mostrem-nos o caminho e nos permitam reconhecer que há uma promessa maior que a do dinheiro, do poder e do prazer. Estar despertos para Deus e para os demais homens: eis aqui o tipo de vigilância a que se refere o Advento, a vigilância que descobre a luz e proporciona mais claridade ao mundo».

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h46
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Estudo bíblico-catequético para o II Domingo do Advento -Ano B
1. Retome a primeira leitura: => Esta profecia anuncia o final do exílio da Babilônia e a volta do povo de Israel à sua terra. O clima dela é de alegria, de júbilo: Deus perdoou o seu povo e o fez voltar. Releia os vv. 1 e 2 e veja a alegria, a felicidade pela volta e pelo perdão de Deus. => Observe que o profeta imagina o deserto se preparando para ver o povo passar voltando para a Terra Santa. Lembre-se do Êxodo, quando o povo foi tirado da escravidão do Egito: o maná, a água brotada da rocha, as codornizes... A volta de Babilônia é vista aqui como um novo êxodo: Deus fez maravilhas para o seu povo. Leia os vv. 3 a 5. => Observe bem: o povo pode voltar para sua terra, pode voltar a ser feliz porque Deus voltou para o seu povo: quando Deus está próximo tudo é bênção, graça, vida, alegria. Releia os vv. 9-11: aí Deu aparece como um guerreiro que luta pelo seu povo e como um pastor cheio de doçura e cuidado. => Agora preste atenção: esta profecia teve um primeiro cumprimento na volta do exílio de Babilônia, no ano 538 aC. Mas, ela teria ainda um segundo e um terceiro cumprimentos: o segundo, na vinda do Messias para salvar o seu povo e o terceiro, na Vinda final do Senhor, no final dos tempos, quando sua salvação será plenamente manifestada. => Sendo assim, observe: "Consolai o meu povo": este povo é a Igreja. "Dizei ao coração de Jerusalém": Jerusalém é a Igreja. Nós, cristãos, já experimentamos a salvação, mas ainda esperamos, entre os reveses da vida, na plenitude dessa salvação. Os cristãos de cada época devem ouvir o anúncio e passá-lo ao mundo: "eis o vosso dês: ele vem com poder; ele apascenta o rebanho. Releia os vv. 9-11. => Observe que no v. 9 aparece a palavra Evangelho: "Sobe a um alto monte, tu, que trazer a boa-nova a Sião". Esta boa-nova é o anúncio do Messias-Jesus que vem para salvar! O cristão, do alto do monte da sua fé, deve anunciar ao mundo essa Salvação que Deus nos mandou! => Com gratidão e espírito de súplica, reze o Salmo responsorial que canta a vinda do Messias.
2. Na segunda leitura, há alguns elementos importantes: => Por que o Senhor demora a vir? Por que tarda tanto o Dia de Cristo? A resposta apresenta dois motivos: (1) Os tempos do Senhor não são como os nossos: para ele um dia valem como mil anos. Não podemos marcar prazos para o Senhor (v. 8) e (2) O Senhor nos dá tempo para a conversão; deveríamos aproveitá-lo (v. 9). => O Dia do Senhor deve ser esperado, mas não se pode fazer nenhum cálculo sobre ele: virá como um ladrão. Recorde das leituras dos domingos anteriores, como esta idéia volta sempre! O importante é a atitude de vigilância. Releia o v. 14. => No v. 10 fala-se na desintegração deste mundo. Cuidado! Isto não significa que o mundo vai "acabar-se". Este mundo, tal qual conhecemos, será purificado no fogo do Santo Espírito. Como na primeira vez o mundo foi purificado pela água, agora será purificado pelo fogo do Santo Espírito de Cristo: o que for precioso será transfigurado; o que for vil perecerá como a palha seca. => A esperança cristã são "novos céus e nova terra" (v. 13), isto é, um mundo renovado, totalmente purificado do pecado e da morte. A Vinda de Cristo no final dos tempos será de salvação para a humanidade e para o mundo. Somente o que foi palha seca é que não suportará o fogo do Espírito de Cristo e será devorado. => Estes pensamentos não são para meter medo, mas para exortar a viver a vida com responsabilidade diante de Deus. Veja os vv. 11-12.
3. Agora, o Evangelho: => Observe como São Marcos cita a profecia de Isaías, da primeira leitura e a aplica a João Batista. Releia os vv. 2-3. => Relendo o texto do Evangelho com atenção, responda: (1) Onde João pregava? (2) Qual o conteúdo da sua pregação? (3) Como se vestia o Batista? (4) Quem ele anunciava? (5) Qual a diferença entre João e Aquele que ele anuncia? => Note que o Messias, cheio do fogo do Espírito, nos batizará no Espírito Santo. Compare com a segunda leitura: no Gênesis, como no batismo de João, o mundo foi "batizado" nas águas do dilúvio; agora, com o Messias que veio e virá, o mundo será batizado no fogo do Espírito!
4. Leia com atenção estas palavras do Catecismo: 522. A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da "Primeira Aliança", tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda. 523. São João Batista é o precursor imediato do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho. "Profeta do Altíssimo" (Lc; 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser "o amigo do esposo" (Jo 3,29), que designa como "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Precedendo a Jesus "com o espírito e o poder de Elias" (Lc 1,17), dá-lhe testemunho por sua pregação, seu batismo de conversão e, finalmente, seu martírio. 524. Ao celebrar cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda.
Escrito por Pe. Henrique às 12h32
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Leituras para o II Domingo do Advento - Ano B
Leitura do Livro do profeta Isaías: (Is 40,1-5.9-11) 1"Consolai o meu povo, consolai-o! - diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados". 3Grita uma voz: "Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou. 9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: 'Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães'".
Salmo responsorial (Sl 84) Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!
Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar; a paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração.
Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra. A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.
O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.
Leitura da Segunda Carta de São Pedro (2Pd 3,8-14) 8Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se. 10O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. 11Se desse modo tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e piedosa, 12enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão? 13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14Caríssimos, vivendo nessa esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz.
Aleluia, aleluia! (bis) Voz que clama no deserto: (bis) "Preparai-lhe um caminho (bis) Uma estrada ao Senhor." (bis)
Todo vale aterrado (bis) Todo monte nivelado (bis) E vereis o Salvador. (bis)
Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos (Mc 1,1-8) 1Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no Livro do profeta Isaías: "Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3Esta é a voz daquele que grita no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!'" 4Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5Toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 6João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7E pregava, dizendo: "Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo".
Escrito por Pe. Henrique às 01h39
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Entre continuidade e descontinuidade
Caro Internauta, mais um pouco do Cardeal Jean Daniélou:
Nessa perspectiva (de preparação para Cristo) percebe-se muito bem a continuidade que há realmente entre o judaísmo e o cristianismo, entre as civilizações pagãs e o cristianismo, enquanto entram em um mesmo plano e são obra de um mesmo Deus (Observação minha: Compreendamos bem: toda a história humana é, em certa medida, história da salvação, porque é história do homem com Deus - ainda que no paganismo esse Deus seja desconhecido e os pagão, como diz São Paulo, adorem aquele aquém não conhecem. A esses pagãos, Deus fala e falava pela voz da consciência, que termina gerando uma cultura e uma religião. Esse tipo de relação com Deus é, digamos, implícito, ou, na linguagem de Karl Rahner, a-temático, isto é, não refletido. Convém não esquecer que a voz da consciência é reflexo da Palavra eterna de Deus que "atormenta"e persegue o homem. E esta Palavra é o próprio Filho eterno. É neste sentido que todas as religiões têm sementes do Verbo, isto é, aspectos que são verdadeiros e positivos, conquanto elas mesmas, como tais, são errôneas e induzem ao modo errado de perceber a Deus e com ele relacionar-se. No entanto, o que têm de positivo é uma preparação para o cristianismo, que chegando leva à plenitude todas as religiões).
O erro de Marcião está em ele dizer que havia dois mundos impermeáveis um ao outro. É um mesmo Verbo que opera obscuramente no mundo não-cristão e no mundo judeu e que, tendo familiarizado o homem consigo, aproximou-se, em seguida, do homem. Era preciso, segundo o belo pensamento de Santo Irineu, que o homem adquirisse costumes divinos e Deus se humanizasse, porque mesmo a Encarnação é coisa que não se improvisa e tudo na obra de Deus se faz no tempo. E isso acontece na educação de cada um de nós, que reproduz a própria história de humanidade e realiza também essa familiarização progressiva com as coisas divinas (Observação minha: Temos aqui um pensamento delicado e caro a vários Padres da Igreja. Perguntavam os pagãos: Por que Deus demorou tanto para enviar o seu Filho? E a resposta era esta: Deus foi educando, preparando a humanidade e, na plenitude dos tempos, enviou o seu Filho. Marcião recusa-se a ver esse desenvolvimento do plano de Deus e considera mau tudo quanto não é especificamente cristão, inclusive o Antigo Testamento. Uma posição como essa jamais foi condividida pela Igreja).
Há, ao mesmo tempo, uma descontinuidade, pois que, entre o momento em que o Cristo é dado e o momento em que ele era somente preparado e anunciado, encontra-se um abismo. Tocamos então na diferença essencial que há entre o cristianismo e judaísmo ou as religiões não-cristãs. Para os Padres da Igreja a diferença não se encontra, antes de tudo, na própria doutrina: grande parte da Revelação já se encontrava no judaísmo. E, para eles, alguns filósofos pagãos já tinham um certo conhecimento de Deus: mesmo Santo Agostinho afirma que Platão conheceu o mistério da Trindade (Observação minha: Observe-se o equilíbrio do Autor. Se há uma certa continuidade entre religiões não-cristãs e cristianismo, muito maior é a descontinuidade, pois que o cristianismo é novidade radical: Cristo trouxe toda a novidade quando se trouxe a si mesmo. Quanto ao pensamento de Agostinho sobre Platão conhecer a Trindade, é uma opinião pessoal do Santo Doutor, opinião que hoje de modo algum pode ser sustentada).
O abismo que há entre o Antigo e o Novo Testamento é o mesmo que existe entre o anúncio de um fato e sua realização. Isso faz-nos, mais uma vez, descobrir que o cristianismo é essencialmente uma vida e não uma filosofia. Ser cristão, para nós, é viver em estado de graça, na familiaridade com Deus. Ora, isso constitui uma novidade total (Observação minha: É necessário dar toda a força e urgência a esta afirmação! Afirmar que o cristianismo é vida na graça de Deus, é afirmar que ser cristão é viver na amizade com Deus porque se vive em comunhão de amor e intimidade com Cristo. Este é o grande desafio de hoje! A tentação atual é reduzir o cristianismo a uma desfibrada ideologia humanística - basta escutar os tristes comentários às leituras da missa dominical trazidos por esses livrinhos de liturgia década dia - e a uma ONG filantrópica. A verdade é que o cristianismo existe por um motivo só: fazer com que as pessoas encontrem Jesus e nele tenham a vida eterna. O resto, por importante que seja, é absolutamente secundário em relação ao conhecimento amoroso do Cristo Jesus, nosso Senhor).
Em belíssima passagem, Santo Irineu escreve: "Sabei que ele trouxe uma novidade total: depois de anunciado deu-se pessoalmente. A vinda de um rei é anunciada aos súditos, por enviados, a fim de que se preparem para recebê-lo; mas, quando chega o próprio rei e todos gozam da alegria anunciada, da liberdade que ele traz, quando o vêem, ouvem suas palavras e experimentam seus dons, que homem sensato perguntaria ainda o que há de novo em relação ao que foi somente anunciado?"
Vemos, pois, que, para um homem como Irineu, as descontinuidades existem realmente; de fato, há algo de radicalmente novo no cristianismo, o que, entretanto, não impede uma continuidade e unidade entre ele e tudo o que o precedera.
 Santo Irineu: a Novidade é Cristo
Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 02h00
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Cristo, a plenitude de toda religião
Vai aqui, caro Internauta, mais umas palavras do Cardeal Jean Daniélou. Saboreie a medite, pois vale a pena!
Qual foi a atitude dos primeiros cristãos relativamente a essas religiões pagãs em cuja presença se encontravam? Vemos exatamente em alguns um otimismo profundo que muita se assemelha à atitude de contemporâneos nossos em relação às religiões orientais. Refiro-me a dois escritores do segundo século, São Justino e Clemente de Alexandria. Encontramos nesses dois homens a idéia de que nas filosofias pagãs há uma certa presença do Verbo, do Logos, uma certa luz divina que ilumina os homens e lhes comunica a parte de verdade que há neles. Um Platão ou um Sócrates, por exemplo, não poderiam chegar ao que disseram de verdadeiro sem uma luz especial. Já existe neles, portanto, uma certa presença do Verbo que se comunicará em plenitude no cristianismo (Observação minha: Há aqui duas anotações a se fazer: (1) O otimismo desses Padres não se referia às religiões pagãs, mas sim à filosofia grega e à cultura clássica em geral. De modo geral, a avaliação dos Padres em relação às religiões pagãs é muito negativa: vêem nelas uma sementeira de erros, de aberrações e idolatrias, obra dos demônios. (2) É importante compreender bem que mesmo os Padres da Igreja que tiveram uma atitude otimista em relação à filosofia pagã e ao judaísmo e viram aí sementes do Verbo, nem por um momento aceitaram colocar em dúvida a unicidade, a necessidade absoluta, a centralidade e a universalidade da salvação trazida unicamente por Jesus Cristo nosso Senhor. É isto que vários teólogos do diálogo inter-religioso andam esquecendo! Cristo é o único caminho que revela o Pai e leva ao Pai. Não outro Salvador, não há outro Nome, não há outra religio vera a não ser somente o cristianismo).
 O Papa em diálogo com os pagãos muçulmanos
O que se observa nas civilizações pagãs, torna-se ainda mais evidente no judaísmo. Se já nas religiões pagãs existe uma certa presença do Verbo, há, a fortiori, no povo judeu, uma ação de Deus e uma parte de verdade. Acentuo esse fato precisamente porque naquela época foi contestado por alguns, que entre o cristianismo e o judaísmo viam uma oposição absoluta e radical. Um homem como Marcião, no segundo século, desenvolvia essa antítese ao máximo. Ele se divertia em anotar no Antigo Testamento todas as expressões antropomórficas mais brutais e escandalosas sobre Deus, todas as passagens que falam do ciúme, da vingança de Deus, do ódio a tal ou qual povo, e em mostrar como, ao Deus justo e severo do Antigo Testamento, opõe-se a Deus de amor do Novo, ao Deus particularista do Antigo Testamento, que não se interessa senão por um povo e odeia os outros, o Deus universalista do Novo Testamento, o Pai dos homens. Pretendia ele mostrar, assim, que entre o cristianismo e o judaísmo há uma oposição total, que são obras de deuses diferentes e que os esforços dos primeiros cristãos para mostrar uma comunidade de doutrina eram ilusórios e vãos: seria preciso aceitar o cristianismo como uma novidade total, com a qual absolutamente nada, antes, tinha tido qualquer relação; antes, tudo era mal, um mundo infeliz, conduzido por um Deus malfeitor; com o Cristo entramos em nossa era, no mundo do amor e da misericórdia. É claro que, para Marcião, essa oposição era ainda mais acentuada em relação às religiões pagãs (Observação minha: É digno de nota que a Igreja jamais aceitou a visão de Marcião. Contra ela, a Igreja professou no Credo Niceno: "Creio em um só Deus Pai onipotente criador do céu e da terra". Este artigo tem sabor da teologia de Santo Irineu: observe-se o movimento da frase: um só é o Deus que primeiramente é o Pai do Filho eterno e é precisamente esse Pai de Jesus,cheio de amor e misericórdia, que é o todo-poderoso criador do céu e da terra. Com isso a Igreja refuta de uma vez por todas o erro de Marcião).
Em face dessa concepção radical, os Padres da Igreja tiveram que definir o princípio que dirigia a relação do cristianismo com o que lhe era anterior. Esse princípio, eles o encontraram na concepção de um plano progressivo de Deus (Observação minha: É o que os gregos chamam de "economia" e os latinos de "dispensatio": o pleno de Deus realizado progressiva e pacientemente na história da salvação).
Para Santo Irineu o plano de Deus foi sempre o mesmo, isto é, Deus jamais teve outro desígnio que não fosse restaurar tudo em Cristo. (Observação minha: Assim, Deus, desde o início, criou o homem para salva-lo, isto é, para entrar em comunhão com ele e tal comunhão dar-se-ia em plenitude com a vinda do Filho).
O homem é, a princípio, um ser carnal a quem as coisas divinas são estranhas e ficaria ofuscado ante um esplendor muito forte (Observação minha: Mesmo que o homem não tivesse pecado, ele, criado perfeito, precisaria crescer até a plenitude de Cristo. Assim, pouco a pouco, era necessário que o homem fosse amadurecendo em relação ao conhecimento, à intimidade com Deus, até que o mortal pudesse revestir a imortalidade de Deus).
É preciso que Deus se adapte à sua fraqueza e o tome como a uma criança a quem se deve começar por dizer coisas muito simples: não matar, não roubar, respeitar aos pais. São coisas elementares que encontramos, por exemplo, na sabedoria da China. Assim, progressivamente, por uma espécie de educação, de pedagogia - segundo as palavras empregadas por São Paulo, antes de mais ninguém, e mais tarde retomadas, freqüentemente pelos Padres de que "a lei é nosso pedagogo em relação ao Cristo" -, Deus preparou a humanidade, para suportar a revelação divina, para estar, de certa maneira, amadurecida para o Cristo que, segundo a Escritura, chegou na plenitude dos tempos. Era, pois, necessária uma preparação e que o Cristo viesse no momento em que ela atingisse o seu auge (Observação minha: Este auge, esta plenitude, dá-se precisamente em Cristo, quando Deus pessoalmente, assume a natureza humana e a sua própria criação com a encarnação do Verbo, que se fez homem verdadeiro em Jesus de Nazaré. Aqui Deus assume a humanidade e a criação para plenificá-la com a sua vida divina).
 Bento XVI visita uma sinagoga
Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 01h11
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Cristianismo e religiões
Caro Internauta, mais um pouqinho de Jean Daniélou...
Eu quereria mostrar que encontramos essa oposição em vários domínios (Observação minha: O Autor refere-se ao modo de avaliar as religiões não-cristãs: para uns, elas são uma preparação para o cristianismo, pois que possuem elementos de verdade e de abertura para Deus; para outros, elas são mais um obstáculo, seja pelos erros que contêm seja porque onde o cristianismo chega e é acolhido tais religiões devem ser superadas). Ela existe primeiramente na atitude dos Padres da Igreja e na dos primeiros cristãos para com as religiões pagãs em cuja presença se encontravam, e em relação ao judaísmo. É no próprio âmago da Escritura e do Antigo Testamento que se origina essa oposição (Observação minha: É verdade: no Antigo e no Novo Testamentos encontramos uma corrente mais positiva em relação aos pagãos e uma outra, muito mais negativa no modo de avaliar as práticas e a cultura pagã). Encontramo-la, enfim, ao estudarmos as relações do cristianismo com as outras religiões: veremos que essa relação é histórica, isto é, que há, entre o cristianismo e as outras religiões, uma relação "cronológica", na medida em que ele representa o termo para o qual tudo converge; mas é, ao mesmo tempo, uma relação "dramática", pois se é verdade que o cristianismo completa, é preciso dizer também que ele destrói e que, por conseguinte, as religiões pagãs, de um lado se desabrocham nele e de outro morrem para lhe dar lugar. Só a aproximação desses dois aspectos pode dar-nos uma posição verdadeiramente total do problema da evangelização das diversas civilizações.
É tocante ver-se que os primeiros cristãos se encontravam, em relação ao mundo que os cercava, exatamente na situação de nossos missionários em países pagãos: pequena minoria portadora de uma mensagem estranha em um mundo que lhes era totalmente fechada e hostil. Por exemplo, quando São Paulo foi a Atenas pela primeira vez e começou a pregar o Evangelho no Areópago, ele se encontrava na mesma situação dos primeiros missionários da China ou do Japão quando falavam aos sábios desses países.
 O Dalai Lama, líder budista.
Porquanto mereça respeito, está distante da plenitude do Cristo.
Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 23h04
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De olhos fixos na Esperança
Dos Sermões do Cardeal John Henry Newman (1801-1890), sacerdote, fundador de comunidade religiosa, teólogo:
Durante séculos, antes que Jesus tivesse vindo à terra, todos os profetas, um após outro, estiveram no seu posto, no alto da torre; todos o esperavam e perscrutavam a sua vinda através da obscuridade da noite. Vigiavam sem cessar para surpreender o primeiro brilho da aurora...: "Deus, a ti, meu Deus, eu busco desde a aurora. A minha alma tem sede de ti, como terra árida, esgotada, sem água" (Sl 62,2)... "Ah! se tu rasgasses os céus e descesses! As montanhas fundiriam na tua presença, como se o fogo as atingisse... Desde as origens do mundo que os olhos nada puderam ver, meu Deus, das maravilhas que preparaste para aqueles que, esperando, estiveram unidos a ti" (Is 64,1; 1Cor 2,9).
Contudo, se alguma vez houve homens que tiveram o direito de se apegarem a este mundo e dele não se desinteressarem, foram os servos de Deus; a terra tinha-lhes sido prometida como herança e, de acordo com as próprias promessas do Altíssimo, ela devia ser a sua recompensa. Mas a nossa verdadeira recompensa diz respeito ao mundo que há de vir... E também eles, esses grandes servos de Deus, ultrapassaram o dom terrestre de Deus, apesar do seu valor, para se apegarem a promessas mais belas ainda; em nome dessa esperança, sacrificaram aquilo cuja posse já detinham. Não se contentaram como nada menos do que a plenitude do seu Criador; procuraram ver o rosto do seu Libertador. E, se fosse preciso que, para isso, a terra se quebrasse, os céus se rasgassem, os elementos do mundo fundissem para que, enfim, ele aparecesse, então, mais vale que tudo se desfaça, antes que continuar a viver sem ele! Tal era a intensidade do desejo dos adoradores de Deus em Israel, que esperavam aquele que havia de vir... A sua perseverança prova que havia alguma coisa a esperar.
Também os apóstolos, depois de o seu Mestre ter vindo e regressado aos Céus, não ficaram atrás dos profetas na acuidade da sua percepção nem no ardor das suas aspirações. O milagre da espera na perseverança continuou.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h06
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A salvação para todos os povos
Da Demonstração evangélica, de Eusébio de Cesaréia (265-340), bispo, teólogo, historiador:
Muitos são os testemunhos da Escritura que mostram que as nações pagãs não receberam menos graças do que o povo judeu. Se os judeus participam da bênção de Abraão, o amigo de Deus, porque são seus descendentes, recordemos que Deus se tinha comprometido a dar aos pagãos uma bênção semelhante não só à de Abraão, mas ainda às de Isaac e de Jacó. Com efeito, Ele predisse explicitamente que todas as nações serão abençoadas de igual forma e convida todos os povos a uma só e mesma alegria com os ditosos amigos de Deus: "Nações, alegrai-vos com o seu povo" (Dt 32,43) e também: "Os príncipes dos povos reuniram-se com o Deus de Abraão" (Sl 46,10).
Se Israel se glorifica do Reino de Deus, dizendo que ele é a sua herança, os oráculos divinos mostram-lhe que Deus reinará também sobre os outros povos: "Ide dizer às nações: O Senhor é rei" (Sl 95,10) e também: "Deus reina sobre os pagãos" (Sl 46,91). Se os judeus foram escolhidos para serem os sacerdotes de Deus e lhe prestarem culto..., a palavra de Deus prometeu comunicar às nações o mesmo ministério: "Rendei ao Senhor, ó família dos povos, rendei ao Senhor glória e honra. Apresentai oferendas, entrai nos seus átrios" (Sl 95,7-8)...
E se, outrora, num primeiro tempo, "a porção do Senhor foi Jacó, seu povo, e Israel a sua parte da herança" (Dt 32,9), num segundo tempo, a Escritura afirma que todos os povos serão dados em herança ao Senhor, segundo a palavra do Pai: "Pedi e dar-vos-ei as nações como herança" (Sl 2,8). A profecia anuncia ainda que Ele "dominará" não só em Israel, mas "do mar até ao mar e até aos confins da terra; todos os países o servirão e nele serão abençoadas todas as tribos da terra" (Sl 71,8-11). Foi assim que o Deus do universo "fez conhecer a sua salvação diante de todas as nações" (Sl 97,2).

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 23h36
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Advento: O cristianismo e as outras religiões
Caro Internauta, vou tentar, neste Advento, disponibilizar alguns textos espirituais e teológicos para ajudá-lo a pensar e a rezar neste tempo de preparação para o Santo Natal. A seguir, um trecho do belo livro do Cardeal Jean Daniélou sobre o tempo de preparação para a vinda do Cristo. A questão é: Como avaliar as religiões que existiram antes do cristianismo? Qual deve ser nossa avaliação das religiões não-cristãs? Trata-se de um livro do final dos anos 50, do século passado, mas que coloca o problema de modo muito mais profundo e fiel à grande Tradição da Igreja que s escritos de alguns teólogos do diálogo inter-religioso atual. Daniélou era um dos teólogos da chamada Nouvelle Théologie (juntamente com o Pe. de Lubac e outros). Foram os antecessores do Vaticano II. Mas, certamente não concordariam com muita loucura e aventura teológica surgida depois de Concílio e em nome do Concílio...
O problema da relação entre o catolicismo e as religiões não-cristãs aparece a partir do momento em que surgem os problemas missionários. Essa questão, de maneira geral, preocupa os homens de nossos tempos. Em que consiste a transcendência do cristianismo relativamente às outras religiões? Eis uma objeção que ouvimos frequentemente e ante a qual ficamos, muitas vezes, desarmados. – vós bem sabeis, dizem-nos, que o budismo, por exemplo, é uma altíssima sabedoria, que há no Islã um profundo espírito religioso. Por que, pois, não considerar que há no mundo um certo número de religiões, não digamos que se equivalham absolutamente, mas que correspondem, cada uma, a temperamentos, a raças, a países diferentes? Reconheceis também que as almas de boa vontade podem salvar-se, mesmo fora do cristianismo, em religiões não-cristãs. Por conseguinte, não vemos em que constitui, propriamente, a transcendência do cristianismo. (Observação minha: Esta é uma questão que já preocupava os Padres da Igreja: O que o cristianismo tem de novo, de insubstituível e necessário para a humanidade, de modo que todos devam se tornar cristãos? Observe como já nos anos 50, o Autor recorda que é doutrina da Igreja que um não-cristão pode salvar-se se for reto na sua consciência. A Igreja, no seu Magistério, nunca ensinou que quem não é cristão não se salva).
A questão existe igualmente no plano mais prático da missão. Os missionários, a respeito das civilizações e das religiões não-cristãs, encontram-se indecisos entre duas atitudes: uma, otimista, simpática, que considera nessas civilizações e religiões tudo o que há de bom, tudo o que é pedra de toque do cristianismo e que, por conseguinte, basta completar. Mas, de outro lado, há os que estão profundamente conscientes de que essas religiões constituem grande obstáculo ao cristianismo, pois, para que um muçulmano se converta é necessário que primeiramente renuncie a tudo o que, em sua fé, se opõe ao cristianismo. O livro de Kraemer mostra essa oposição, acentuando ao máximo a atitude pessimista: é preciso considerar que o Evangelho é puro paradoxo, é escândalo para as civilizações e religiões não-cristãs e que é necessário não perder-se em tentativas de adaptação, mas antes anunciá-lo simplesmente na sua integridade, confiando na força do Cristo e de sua graça, quanto aos resultados. (Observação minha: Desde já é necessário afirmar que a posição católica sempre tendeu a um equilíbrio: nas religiões não-cristãs, há, certamente, elementos de bondade; mas elas são também contaminadas com erros e lacunas e é necessário anunciar-lhe Jesus, para que todos o reconheçam como Salvador. O que houver de valores nessas religiões o cristianismo purifica e assume; mas nada que altere minimamente a verdade cristã!).
Esse problema obriga-nos a refletir um pouco mais profundamente sobre que relações estabelecemos entre essas religiões não-cristãs e o cristianismo. Será a de uma oposição total como a que existe entre o erro e a verdade e, por conseguinte, nossa visão do mundo seria um conflito entre o catolicismo e as religiões não-cristãs? Consideramos nós, ao contrário, que o cristianismo completa, aperfeiçoa, o que se encontra em estado rudimentar nas outras religiões? E, se considerarmos que o cristianismo prolonga o que há nas outras religiões, onde está sua transcendência e em que representa ele algo que lhes seja superior? É entre essas duas posições que vemos muitas vezes hesitarem as diversas correntes missionárias.
 O Cardeal Daniélou
Categoria: Teologia
Escrito por Pe. Henrique às 12h38
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Lula, o PT e o aborto - I
Caro Internauta, recebi este texto e repasso porque concordo com ele plenamente. Leia, pense e não esqueça nas próximas eleições! Votar em quem defende o aborto é ser conivente com o crime e o pecado! Não se pode dizer que não sabia, que não se tem culpa. Somos nós que elegemos os que fazem as nossas leis!
PARTIDO DOS TRABALHADORES EXPULSARÁ DEPUTADOS CONTRÁRIOS AO ABORTO
APRESENTAÇÃO E RESUMO
Para a quase totalidade dos brasileiros é impossível de acreditar, mesmo diante dos fatos mais evidentes. Ainda que, segundo dados do IBOPE, 97% da população brasileira seja contrária à legalização do aborto e entenda que esta prática significa um homicídio, se um militante do PT não trabalhar para promover a implantação da legalização do aborto no Brasil, será processado, julgado e expulso do Partido dos Trabalhadores. Defender a vida inocente não nascida, mesmo o aborto sendo considerado pela legislação vigente um crime punido por lei, agora é, segundo o Partido dos Trabalhadores, uma infração de Ética tão grave, que exige a expulsão do Partido.
Os Deputados federais Luiz Bassuma, do PT da Bahia e Henrique Afonso, do PT do Acre, estão respondendo a processo na Comissão de Ética do Partido dos Trabalhadores e podem ser expulsos do partido por defenderem a vida e serem contra a legalização do aborto. Outros parlamentares do partido que também tem se pronunciado a favor da vida, como o deputado Nazareno Fonteles, já estão na mira de novos processos.
Segundo a Secretaria de Mulheres do Partido, estes deputados descumprem abertamente uma resolução partidária de 2007 que aprova o direito ao aborto. Se forem condenados, Bassuma e Henrique Afonso podem ser expulsos do PT.
O Presidente Lula, fundador e presidente honorário do Partido dos Trabalhadores, até o momento não se pronunciou a respeito.
O Partido dos Trabalhadores, supostamente o partido que representa a maioria dos brasileiros, tem sido desde a posse do governo Lula, o principal instrumento para a imposição do crime do aborto no Brasil. Em 2005 o governo Lula apresentou à Câmara um projeto de lei, o PL 1135/91, ainda em tramitação no Congresso, que extingue o aborto como crime em qualquer circunstância e que, se aprovado, tornará o aborto totalmente livre por qualquer motivo durante todos os nove meses da gravidez.
A implantação do aborto, ideologicamente vinculada com a libertação da mulher, não é uma bandeira do povo brasileiro. Ela é promovida e financiada por uma rede fundações internacionais amplamente conhecidas cuja verdadeira finalidade é o controle do crescimento populacional.
O site do Partido dos Trabalhadores apresentou recentemente o processo de expulsão contra os deputados a favor da vida como "uma vitória das feministas do PT". Segundo página oficial do site, "a participação destes deputados em atos públicos contra a legalização" não pode ficar impune: "tem que ter conseqüências e exige a imposição de uma sanção". Veja o que diz o site a este respeito:
"A COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT VAI AVALIAR AS POSTURAS E
PROCEDIMENTOS DE DOIS DEPUTADOS FEDERAIS - LUÍS BASSUMA (BA) E HENRIQUE AFONSO (AC) - EM COMISSÃO DE ÉTICA. OS DOIS PARLAMENTARES, HÁ MUITO TEMPO, AFRONTAM A RESOLUÇÃO PARTIDÁRIA, RATIFICADA PELO 3º CONGRESSO DO PT, DE DEFESA DA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO.
A DEFESA DO DIREITO AO ABORTO LEGAL E SEGURO É UMA BANDEIRA HISTÓRICA DAS MULHERES PETISTAS. QUEREMOS QUE SE APLIQUE UMA PUNIÇÃO ADEQUADA A QUEM CONTRARIA ABERTAMENTE, MAS NÃO MAIS IMPUNEMENTE, DEFINIÇÕES POLÍTICAS DO PARTIDO. O MANDATO DO BASSUMA OU O DO HENRIQUE AFONSO É UM INSTRUMENTO DO PARTIDO, E SE UTILIZAR DELE PARA, EXATAMENTE, CONTRARIAR POSICIONAMENTOS POLÍTICOS DO PT É, NO MÍNIMO, UM ERRO A SER AVALIADO EM COMISSÃO DE ÉTICA. NÃO ACEITAMOS QUE FIGURAS PÚBLICAS DO PARTIDO EMPRESTEM SUA IMAGEM A MOVIMENTAÇÕES QUE VÃO DE ENCONTRO A UMA RESOLUÇÃO CONGRESSUAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES. NÃO ACEITAMOS ESSE TAMANHO DESRESPEITO COM AS MULHERES DO PT. A PARTICIPAÇÃO DESSES PARLAMENTARES EM ATOS PÚBLICOS CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO PRECISA TER CONSEQÜÊNCIAS. ESTAMOS ALERTAS, AGUARDANDO A DEFINIÇÃO DA COMISSÃO DE ÉTICA, E ESPERANDO QUE UMA SANÇÃO SEJA IMPOSTA AOS FILIADOS EM QUESTÃO, DEMONSTRANDO AO CONJUNTO DO PARTIDO E DA SOCIEDADE QUE O PT LEVA A SÉRIO AS RESOLUÇÕES POLÍTICAS, A MILITÂNCIA E A TRAJETÓRIA HISTÓRICA QUE TEM".
O deputado oposicionista Onyx Lorenzoni (DEM-RS) ironiza o
fato de nenhum parlamentar do PT ter sido punido no Conselho de
Ética do partido por conta do suposto envolvimento no escândalo do
mensalão. "O PT É LIBERAL COM ROUBO DE DINHEIRO PÚBLICO E RADICAL A FAVOR DA ELIMINAÇÃO DA VIDA", tripudia.
O mesmo pensa o próprio deputado que está sendo processado Henrique Afonso: "NÓS TEMOS NO PT QUASE 1 MILHÃO DE MILITANTES, E CERTAMENTE A MAIORIA É CONTRA O ABORTO. ESTAMOS DEFENDENDO O DIREITO À VIDA, PRESENTE NA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS E NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA", argumenta.
O compromisso do Partido dos Trabalhadores com a prática do aborto é um fato oficial de longa data, mas um pacto de silêncio impede a imprensa de apresentá-lo claramente ao público.

Escrito por Pe. Henrique às 22h06
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Lula, o PT e o aborto - II
Confira alguns dos principais compromissos do governo do PT com a implantação do aborto no Brasil.
PRINCIPAIS COMPROMISSOS DO GOVERNO E DO PARTIDO DOS TRABALHADORES COM A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
1. EM 2005 O GOVERNO LULA RECONHECEU JUNTO À ONU O ABORTO COMO DIREITO HUMANO
Em agosto de 2005 o Governo Lula reconheceu junto à ONU o aborto como direito humano. Nesta data o governo Lula entregou ao Comitê do Cedaw (a Convenção da ONU para Eliminação de todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher) o documento intitulado "SEXTO INFORME PERIÓDICO DO BRASIL AO COMITÊ DA ONU PARA A ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER" onde, às páginas 9 e 10, ele reconhece o aborto como um direito humano da mulher e reafirma novamente diante da ONU decisão do governo de revisar a legislação punitiva do aborto:
"AS ATIVIDADES QUE O GOVERNO FEDERAL BRASILEIRO LEVA A CABO PARA COMBATER A DESIGUALDADE POR MOTIVO DE GÊNERO OU RAÇA PERMITEM APRECIAR QUE AINDA FALTA MUITO POR FAZER EM DEFESA E PROMOÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NO BRASIL E, MAIS ESPECIFICAMENTE, NA ESFERA DOS DIREITOS HUMANOS DA MULHER. DE IMPORTÂNCIA PARA ESTE TEMA É A DECISÃO DO GOVERNO DE ENCARAR O DEBATE SOBRE A INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ.
COM ESTE PROPÓSITO FOI ESTABELECIDA UMA COMISSÃO TRIPARTITE DE REPRESENTANTES DOS PODERES EXECUTIVO E LEGISLATIVO E DA SOCIEDADE CIVIL, COM A TAREFA DE EXAMINAR O TEMA E APRESENTAR UMA PROPOSTA PARA REVISAR A LEGISLAÇÃO PUNITIVA DO ABORTO".
2. EM SETEMBRO DE 2005 O GOVERNO LULA ENTREGOU À CÂMARA DOS DEPUTADOS UM PROJETO DE LEI QUE REVOGAVA TODOS OS ARTIGOS DO CÓDIGO PENAL QUE DEFINEM COMO CRIME QUALQUER TIPO DE ABORTO, REDEFININDO A PRÁTICA COMO UM DIREITO E TORNANDO-A LEGAL TODA A GRAVIDEZ.
O Projeto, conhecido como Substitutivo do PL 1135/91, se aprovado, descriminaliza totalmente a prática do aborto, tornando-o livre por qualquer motivo DURANTE TODOS OS NOVE MESES DA GRAVIDEZ, DESDE A CONCEPÇÃO ATÉ O MOMENTO DO PARTO. A defesa do projeto custou a reeleição da Deputada Jandira Feghali, que aceitou ser a relatora do projeto por considerar-se uma "defensora histórica do aborto".
Votado em 2007 na Câmara, o projeto foi derrubado por 33 votos a zero na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara e por 57 votos contra 4 na Comissão de Constitucionalidade da mesma Câmara. Mesmo assim, foi novamente desarquivado graças ao esforço pessoal do Deputado José Genoíno do PT, que conseguiu encaminhá-lo para o plenário da Câmara, onde deverá ser votado novamente por todos os deputados.
3. EM 2006 O PT INCLUIU A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO COMO DIRETRIZ DO SEGUNDO MANDATO DO PRESIDENTE LULA
No ano seguinte, em abril de 2006 a descriminalização do aborto foi oficialmente incluída pelo PT como diretriz do programa de governo para o segundo mandato do Presidente Lula. O documento intitulado "Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo", oficialmente aprovado pelo Partido dos Trabalhadores no 13º Encontro Nacional do PT ocorrido em São Paulo entre os dias 28 e 30 de abril de 2006, contém as seguintes diretrizes:
"35. O SEGUNDO GOVERNO DEVE CONSOLIDAR E AVANÇAR NA IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS AFIRMATIVAS E DE COMBATE AOS PRECONCEITOS E À DISCRIMINAÇÃO. AS POLÍTICAS DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO E DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS E CIDADANIA DE GAYS, LÉSBICAS, TRAVESTIS, TRANSEXUAIS E BISSEXUAIS RECEBERÃO MAIS RECURSOS. O GOVERNO FEDERAL SE EMPENHARÁ NA AGENDA LEGISLATIVA QUE CONTEMPLE A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO".
4. EM SETEMBRO DE 2006 O PRÓPRIO PRESIDENTE LULA INCLUIU O ABORTO EM SEU PROGRAMA PESSOAL DE GOVERNO
Quatro dias antes do primeiro turno das eleições, em 27 de setembro de 2006, o próprio Presidente Lula incluiu o aborto em seu programa pessoal de governo para o segundo mandato, em um caderno de 24 páginas intitulado "LULA PRESIDENTE: COMPROMISSO COM AS MULHERES, PROGRAMA SETORIAL DE MULHERES 2007 -2010", onde, apesar da linguagem velada, REAFIRMA INEQUIVOCAMENTE SEU COMPROMISSO EM LEGALIZAR O ABORTO NO BRASIL.
O documento o Presidente afirma que
"O Estado e a legislação brasileira devem garantir o direito de decisão das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso é essencial promover as condições para o exercício da autonomia com garantia dos direitos sexuais e direitos reprodutivos e de uma vida sem violência. O Estado é para todas e todos, e deve dirigir suas ações para a garantia de cidadania de todas as pessoas, ao invés de se pautar por preceitos de qualquer crença ou religião".
[Lula Presidente: Compromisso com as Mulheres, pg. 16]
As próprias feministas reconhecem que o presidente está se comprometendo inequivocamente com a legalização do aborto. Elas apenas lamentam que Lula não tenha coragem de falar abertamente a palavra aborto. Assim de fato escreveu Fernanda Sucupira, na Carta Maior:
"Às vésperas das eleições, no entanto, as feministas lamentam que nenhum candidato à presidência tenha se manifestado explicitamente favorável à legalização da interrupção da gravidez indesejada. Nesta quarta feira 27, o presidente Lula lançou em Brasília o caderno temático "Compromisso com as Mulheres". No item que trata de direitos reprodutivos, o documento diz que "o Estado e a legislação brasileira devem garantir o direito de decisão das mulheres sobre suas vidas e seus corpos. Para isso, é essencial promover as condições para o exercício da autonomia". POR MAIS QUE FIQUE CLARO QUE SE ESTÁ FALANDO DE ABORTO, O TEXTO NÃO TRAZ ESTA PALAVRA".
Ainda no documento "Lula Presidente: Compromisso com as Mulheres", encontra-se, à página 19:
"O segundo governo Lula desenvolverá ações que assegurem autonomia das mulheres sobre seu corpo, a qualidade de vida e da saúde em toda as fases de sua vida, respeitando a diversidade racial e étnica e a orientação sexual das mulheres. Criará mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e CONTRIBUIR NA REVISÃO DA LEGISLAÇÃO".
[Lula Presidente: Compromisso com as Mulheres, pg. 19]

Escrito por Pe. Henrique às 22h04
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Uma luz que brilhou, brilha e brilhará
Caro Internauta, eis uma bela meditação do Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI) sobre o Tempo do Advento:
O Advento e o Natal experimentaram um incremento de seu aspecto externo e festivo profano tal que no seio da Igreja surge, da própria fé, uma aspiração a um Advento autêntico: a insuficiência desse ânimo festivo por si só se deixa sentir, e o objetivo de nossas aspirações é o núcleo do acontecimento, esse alimento do espírito forte e consistente do qual nos fica um reflexo nas palavras piedosas com as quais nos felicitamos nas festas. Qual é esse núcleo da vivência do Advento?
Podemos tomar como ponto de partida a palavra «Advento»; este termo não significa «espera», como poderia se supor, mas é a tradução da palavra grega parusia, que significa «presença», ou melhor, «chegada», quer dizer, presença começada. Na Antigüidade era usado para designar a presença de um rei ou senhor, ou também do deus ao qual se presta culto e que presenteia seus fiéis no tempo de sua parusia. Ou seja, o Advento significa a presença começada do próprio Deus. Por isso, nos recorda duas coisas: primeiro, que a presença de Deus no mundo já começou, e que ele já está presente de uma maneira oculta; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda que não seja total, mas está em processo de crescimento e amadurecimento. Sua presença já começou, e somos nós, os crentes, que, por sua vontade, devemos fazê-lo presente no mundo. É por meio de nossa fé, esperança e amor que ele quer fazer brilhar a luz continuamente na noite do mundo. De modo que as luzes que acendamos nas noites escuras deste inverno sejam ao mesmo tempo consolo e advertência: certeza consoladora de que «a luz do mundo» já foi acesa na noite escura de Belém e transformou a noite do pecado humano na noite santa do perdão divino; por outra parte, a consciência de que esta luz somente pode - e somente quer - seguir brilhando se é sustentada por aqueles que, por ser cristãos, continuam através dos tempos a obra de Cristo. A luz de Cristo quer iluminar a noite do mundo através da luz que somos nós; sua presença já iniciada deve seguir crescendo por meio de nós. Quando na noite santa soar uma e outra vez o hino Hodie Christus natus est (= Hoje Cristo nasceu), devemos recordar que o início que foi produzido em Belém deve ser em nós início permanente, que aquela noite santa é novamente um «hoje» cada vez que um homem permite que a luz do bem faça desaparecer nele as trevas do egoísmo (...) a criança - Deus nasce ali onde se obra por inspiração do amor do Senhor, onde se faz algo mais que intercambiar presentes.
Advento significa presença de Deus já começada, mas também apenas começada. Isto implica que o cristão não olha somente o que já foi e o que aconteceu, como também ao que está por vir. Em meio a todas as desgraças do mundo, tem a certeza de que a semente de luz segue crescendo oculta, até que um dia o bem triunfará definitivamente e tudo lhe estará submetido: no dia em que Cristo retorne. Sabe que a presença de Deus, que acaba de começar, será um dia presença total. E esta certeza o faz livre, dá-lhe um apoio definitivo.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 13h33
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As duas vindas do Senhor
Do Comentário sobre o evangelho de Mateus por São Pascácio Radberto (séc. IX), monge beneditino:
É preciso termos sempre em consideração uma dupla vinda de Cristo: uma, quando Ele vier e nós tivermos de prestar contas de tudo o que tivermos feito; a outra, quotidiana, quando Ele visita sem cessar a nossa consciência e vem a nós a fim de nos encontrar prontos por ocasião da sua vinda definitiva.
Com efeito, para que me serve conhecer o dia do juízo, se estou consciente de tantos pecados? Saber que o Senhor vem, se Ele não vier primeiro ao meu coração, se não entrar no meu espírito, se Cristo não viver e não falar em mim?
Então sim, é bom que Cristo venha se, antes que tudo, Ele vive em mim e eu nele. Para mim, é como se a segunda vinda se tivesse já realizado, uma vez que o desaparecimento do mundo já ocorreu em mim, porque de certa forma posso dizer: "O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gl 6,14).
Refleti também sobre esta palavra de Jesus: "Muitos virão em meu nome" (Mt 24,5). Só o Anticristo se apoderará deste nome, ainda que isso seja para nos enganar... Em nenhuma passagem da Escritura encontrareis que o Senhor tenha declarado: "Eu sou Cristo". Porque lhe bastava mostrar que o era, pelos seus ensinamentos e pelos seus milagres, uma vez que o Pai agia com Ele. O ensino da sua palavra e o seu poder gritavam: "Eu sou Cristo", com mais força do que milhares de vozes teriam gritado.
Portanto, não sei se podereis achar que Ele o tenha dito em palavras, mas mostrou-o "cumprindo as obras do Pai" (Jo 5,36) e ministrando um ensino impregnado de piedade filial. Os falsos messias, que são disso desprovidos, só podem usar os seus discursos para suportar as suas pretensões enganadoras.

Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h49
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